relação entre pais e filhos
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Pais-filhos qual a medida certa entre o “sim” e “não”

Tenho percebido que muitos pais hoje em dia têm sérias dificuldades para resolver pequenas questões simples do dia-a-dia com seu filho.

As mães parecem ter ainda mais dificuldade que os pais, principalmente as que trabalham fora. Já os pais da geração anterior não tem o menor problema com essas questões. Não havia menor problema em dizer não.

Vamos refletir sobre o que mudou? Ao abandonar a excessiva postura rígida anterior que, sem dúvida, foi muito bom; os pais ficaram sem saber como agir diante da nova relação de forças. Parecem ter desaprendido a dizer não, dar limites e exercer a sua autoridade.

No entanto, as coisas ficaram mais difíceis. As crianças não mudaram. O que mudou?



A insegurança dos pais.

Antes os pais tinham certeza de suas atitudes em relação aos filhos, por esse motivo não havia espaço para discussão, para questões como a hora de dormir, por exemplo. Isto era claro e definitivo para os pais da geração anterior, hoje não é mais. Essa mudança é boa ou ruim? Ainda não tenho essa resposta.

O que gosto sempre de refletir é como tudo isso aconteceu, o que está acontecendo?

Será que houve realmente uma mudança?

É verdade que: esses pais são frutos de uma geração que lutou muito por mudança dos valores rígidos e do autoritarismo e procuraram dar aos seus filhos mais liberdade do que tiveram.

Será que estão satisfeitos? Como isso é feito na prática?

O que percebo ao observar os pais na relação com seus filhos é que não estão convictos de suas atitudes, mas são movidos pelo que julgam ser moderno; os filhos podem fazer tudo o que quiserem.

Sim, é claro que após algum tempo esgotada a paciência, os pais tentam dizer não. Quando já não aguentam mais, tentam impor limites. O problema é que quando isso ocorre se cria um ciclo vicioso no qual, o filho, percebendo a sua força, repete o mesmo comportamento em diversas ocasiões. Criam uma verdadeira batalha ao ouvir um não e os pais acabam por ceder. Parece-me que os pais até gostariam de colocar regras, mas algo os impede; talvez o fato de não saberem se é certo ou errado deixar ou não, fixar ou não padrões e regras de comportamento.

É possível perceber que eles se obrigam a um comportamento que não satisfazem, e por esse motivo não conseguem manter o posicionamento.

Mesmo insatisfeitos se impõem determinadas atitudes, por lhes parecer a forma mais correta atualmente de se educar. Entretanto, o fazem com muita insegurança.


A segurança dos filhos depende da segurança dos pais.

Atender as necessidades dos filhos é natural. O que não pode ser confundido com total submissão aos filhos.

Os filhos querem e precisam sentir segurança nos pais, para se sentirem seguros.

Dentre as necessidades de amor, alimento, calor e segurança esta última, abala todas as demais, caso os pais não tenham a clareza para perceber a hora que uma negativa tem um efeito positivo e eficaz.

O filho, percebendo a dúvida, não irá se sentir seguro no que faz. Os pais devem e podem se mostrar inteiros, com direitos, vontades, desejos e insatisfações de modo claro e objetivo. As crianças fazem isso sem medo, naturalmente, os pais ao contrário tem medo de que “isso ou aquilo” possa prejudicar a formação dos filhos.

Entretanto, o que pode realmente prejudicar é ausência de limites e autoridade. “Sacrifícios inúteis” para ceder a todo tipo de exigência dos filhos não são bem-vindos e geram cobranças posteriores.

Hoje, os pais têm muitas informações e, apesar disso, parecem mais inseguros e temem mais as consequências de suas atitudes.

É possível que alguns conceitos literários mais recentes, cerca de 20 anos, tenham se tornado na prática fontes de angústia e de ansiedade, devido à má interpretação de seu real significado.


Os pais e a orientação sobre educação.

O aumento de publicações sobre Educação e Psicologia se difundiu significativamente na sociedade e em geral entre os pais.
-dialogar com os filhos;
-compreender o enfoque da criança;
-evitar frustrar;
-dar liberdade;
-estimular a criatividade.


Estas e outras correntes de ideias são inovações que muito contribuíram para o avanço do ensino, mas, por outro lado trouxeram algumas consequências indesejadas.

Nas escolas foram introduzidas tais ideias, mas talvez tenham sido interpretadas de forma radical dificultando aos professores estabelecerem limites e regras necessários à aprendizagem e educação dos alunos.

O mesmo ocorre com os pais, passaram a acreditar (mesmo que inconscientemente) que qualquer limitação deveria ser evitada, sob pena de estar podando ou castrando a
potencialidade dos filhos.

A confusão de sentimentos é tão grande que chega a paralisar os pais, porque todas as coisas podem ser prejudiciais à liberdade, à democracia, as quais pretendem para os filhos.


O psicologismo

A relação pais-filhos é parte de um todo, assim não pode ser analisada somente por um enfoque.

O psicologismo vê, analisa e apresenta tudo do ponto de vista psicológico, esses aspectos tomaram uma proporção muito maior do que é na realidade.

Quando o assunto envolve a educação dos filhos, no momento em que você fica zangado, perde o controle, vem a nossa mente os problemas que essa atitude pode acarretar; daí qualquer tentativa de ação racional naufraga. O resultado disso é culpa da condição: “somos pais ‘monstros’ fracassados”.

É possível diante desse sentimento, uma revisão de atitudes que é muito positiva. Porém, se essa revisão de atos for guiada pelo psicologismo, torna-se negativa; pois os pais passam a agir de modo a evitar culpas e se esvai a espontaneidade, a qual deveria permear a relação.

O medo de errar na educação dos filhos é enorme, esse medo torna-se um elemento
fundamental e a mola mestra das atitudes dos pais, o que de certo não resultará em algo muito bom.

– O que todo filho gostaria que seus pais soubessem:

Que saibam exatamente o que é fundamental;

Tenham um padrão coerente de ações em relação aos filhos;

Que tenham condições de estabelecer e cumprir regras;

Que sejam seguros e honestos;

Que não considere apenas seu próprio interesse para estabelecer regras;

Que os ame verdadeiramente.


-Sugestão aos pais:

Queridos pais, além da ideia de certo e errado existe um vasto campo para explorar, sugiro transpor os limites, de obras literárias e publicações, a fim de refletir o verdadeiro sentido e, principalmente se faz sentido pra vocês.


Lembrando que somos imperfeitos, mas plenos de potencialidade para compreender a nossa vida e a existência.
A psicologia analítica, de Carl Gustav Jung é um conhecimento maravilhoso, que propicia um caminho para conhecer a si mesmo, entender que não somos perfeitos e onipotentes.
Para saber mais sobre a psicologia analítica do Jung indico o Curso de Introdução à Psicologia Analítica do Jung Na Prática, que possui uma linguagem simples e didática, e ajuda a compreender esse conhecimento tão rico mas que nos parece tão complexo.

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